O primeiro ano do mercado regulado de apostas no Brasil foi marcado por uma ofensiva rigorosa contra a ilegalidade.
Segundo dados consolidados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, a cooperação com a Anatel resultou no bloqueio de mais de 25.000 sites de apostas ilegais ao longo de 2025.
A ação não se limitou apenas à derrubada de domínios, mas atingiu o ecossistema financeiro e publicitário das operadoras sem licença, consolidando a estrutura de fiscalização do setor.
Fiscalização e Punições Financeiras
O cerco fechou também para as transações financeiras. O monitoramento identificou fluxos de capital suspeitos destinados a empresas não autorizadas:
- Contas encerradas: 54 instituições de pagamento reportaram mais de 1.200 comunicações de suspeita, resultando no fechamento de 550 contas bancárias.
- Processos administrativos: A Subsecretaria de Monitoramento e Fiscalização registrou 132 processos envolvendo 133 operações de apostas, com 80 casos ainda em andamento para aplicação de penalidades.
Influenciadores e Redes Sociais na Mira
A publicidade irregular foi outro foco central. Em parceria com órgãos de autorregulamentação, as autoridades concluíram 412 processos de fiscalização contra influenciadores digitais. O resultado foi a remoção de 324 perfis e 229 publicações que promoviam plataformas ilegais.
O Raio-X do Mercado Legal
Enquanto o mercado ilegal sofreu baixas, o setor regulado apresentou números robustos. Em 2025, as 79 empresas autorizadas movimentaram milhões de brasileiros:
- Público: 25,2 milhões de brasileiros realizaram apostas legalmente.
- Perfil: O público masculino domina o mercado (68,3%), e a faixa etária principal está entre 31 e 40 anos (28,6%).
- Arrecadação: O setor gerou um faturamento bruto (GGR) de R$ 37 bilhões.
Para os cofres públicos, o impacto foi significativo: o Governo Federal arrecadou cerca de R$ 9,95 bilhões em impostos e repasses sociais, além de R$ 2,5 bilhões em outorgas e taxas de fiscalização.
Jogo Responsável e Saúde Mental
Um dos grandes destaques do ano foi o lançamento do sistema centralizado de autoexclusão. Desenvolvido pelo Serpro, a plataforma registrou uma adesão surpreendente, com mais de 217 mil pedidos de autoexclusão nos primeiros 40 dias de operação. O movimento reforça o foco do Ministério da Fazenda em transformar o mercado não apenas em um setor lucrativo, mas em um ambiente seguro para o apostador.